*Boca feliz*
Abril 14, 2008 por religareterapias
No curso de Naturopatia fui apresentada ao trabalho de uma escritora fantástica: Sônia Hirsh. Colunista da revista Bons Fluidos, da Editora Abril, ela trata de alimentação natural com uma naturalidade (me perdoem o trocadilho!) que encanta, e tem o dom de nos estimular a olhar o que colocamos no prato, pois a grande verdade é que realmente nós somos o que comemos !
Hoje vou postar um trecho do livreto “Boca Feliz”, que está disponível para download no site da autora (http://correcotia.com/bocafeliz/index.html) juntamente com outros textos igualmente deliciosos. Espero que curtam tanto quanto curti, virem fãs e, ainda que aos pouquinhos, revejam sua alimentação!

“BOCA FELIZ:
COMER É BOM E EU GOSTONinguém precisa ser naturalista para melhorar a alimentação.
Mas, afinal, o que é um naturalista?
Antigamente chamavam assim as pessoas que iam viver nas ilhas: todo mundo bem à vontade no meio da natureza, tomando banho de sol e de chuva, comendo fruta, observando passarinhos e transando as cobras numa boa. Mas essa moda não pegou, e hoje em dia naturalista é principalmente quem come comida natural.
E o que é comida natural? Existe alguma comida que não seja natural?
De uma forma ou de outra, tudo é tirado da natureza. Até o plástico, que vem do petróleo, que por sua vez vem lá do fundo da terra, pode ser considerado natural. No entanto, o plástico não se desmancha de novo na terra; não é como a madeira, a casca de banana ou o corpo da gente que vieram do pó e ao pó voltarão; podem se passar anos que o plástico ainda estará do mesmo jeito. Existem comidas que são como o plástico — não se desmancham dentro do corpo, não se misturam com a nossa natureza de uma forma normal. Então, aqui e ali começam a aparecer os montinhos de lixo que a gente comeu. Em volta deles vão se instalando as bactérias, os vírus e os micróbios, e dali a pouco tudo já virou bagunça, ou seja: doença. Quer dizer: certas comidas agridem a nossa natureza, enquanto outras se integram ao nosso corpo de uma forma completamente natural. Por isso é que se fala comida natural.
Por exemplo, a dona Maria, lá daquele lugarejo do sul de Minas, come comida natural. O feijão vem da roça do Bento, o arroz quem traz é dona Fujiko, o milho e o aipim e as verduras são ali do quintal mesmo e as frutas aparecem conforme Deus vai dando: banana, laranja, tangerina, jaca, mamão, jabuticaba, abacate, cada qual na sua estação. Os ovos também são do quintal, postos todo dia pelas galinhas que têm até nome. E se acontece de comer um frango, um leitão, um cabrito ou uma carne de vaca, todo mundo sabe que o animal era bem tratado e sem nenhuma doença.
Dona Maria tem uma saúde de ferro.
Muito longe de Minas, lá nas bandas do Maranhão, seu Ribamar também come comida natural: é um peixe, uma caça, um milho, uma farinha de mandioca, um óleo de coco babaçu, umas folhas de vinagreira cozidas só no bafo da panela, muita castanha-do-pará, banana, coco e todas as frutas que Deus também dá por lá. Seu Ribamar é outro que tem saúde de ferro.
Agora: o filho da dona Maria e a filha do seu Ribamar, que foram atrás de outra vida na cidade grande, não comem comida natural, não. Porque na cidade nada é colhido ou criado, tudo é comprado no supermercado, enlatado, empacotado, congelado, superconservado, já vem preparado, já vem temperado, já vem salgado e adoçado que é pro freguês ficar bem acostumado… Então eles comem é muita lataria, refrigerante, salsicha, quitute, macarrão com molho pronto, pão com margarina, doce, biscoito, café com leite. Sabem que não é uma comida forte, mas vão comendo assim mesmo.
A saúde deles é muito fraca. Sentem dor de cabeça, acordam cansados, se irritam com facilidade, volta e meia estão com gripe. A filha do seu Ribamar tem prisão de ventre e está engordando muito, o filho da dona Maria sente uma queimação no estômago que parece úlcera. E Júnior, o herdeiro, que só tem três anos, vive dando entrada no hospital por causa de asma.
Nós somos o que comemos. Assim como uma árvore precisa de terra boa para crescer e dar frutos, gente precisa de alimentos bons para ser feliz.
O filho da dona Maria e a filha do seu Ribamar não percebem que a comida fraca está sabotando todo o seu sonho de felicidade.
E você, como é? Já parou pra pensar se a sua comida está ajudando ou atrapalhando você?”